Plano A Contabilidade

Diagnóstico Inicial — O Projeto Original

Iasmin Maionchi e Juliana Nandra Cursos e Mentorias Ltda · CNPJ 50.650.060/0001-28 · Reunião de onboarding · setembro de 2026

Sobre este material. Reunimos aqui o que levantamos nas primeiras semanas de trabalho, a partir das declarações do Simples Nacional de 2026, do relatório de vendas da Guru, das notas fiscais emitidas no Notazz, do relatório de situação fiscal da Receita Federal e das páginas de venda dos produtos. O objetivo é dar a vocês uma visão completa de como a empresa está hoje, quais são os caminhos possíveis e o que cada um deles exige. As decisões sobre o negócio continuam sendo de vocês — nosso papel é mostrar o cenário com clareza.
Panorama

Oito meses de 2026 em números

De janeiro a agosto a empresa faturou R$ 1.511.797,72 em 6.243 vendas aprovadas — mais do que todo o ano de 2025, que fechou em R$ 1.173.568,55. O crescimento é constante, sem depender de lançamento.

Faturamento jan–ago/2026
R$ 1.511.797,72
6.243 vendas · 12 produtos ativos
Carga tributária média jan–jul
9,34%
R$ 104.630,38 de DAS
Mapas
84,7%
R$ 1.281.108,06
Cursos e mentorias
15,3%
R$ 230.689,66
0100k200k300kjan/2026: R$ 52.177,09jan52kfev/2026: R$ 155.468,29fev155kmar/2026: R$ 155.650,71mar156kabr/2026: R$ 189.501,33abr190kmai/2026: R$ 179.599,82mai180kjun/2026: R$ 219.307,02jun219kjul/2026: R$ 249.254,57jul249kago/2026: R$ 310.838,89ago311k

Agosto foi o maior mês da história da empresa: R$ 310.838,89. É também a primeira competência sob nossa responsabilidade, com vencimento do DAS em 20/09.

A operação

Como as vendas acontecem

Canal e pagamento

  • Plataforma única. Todas as 6.243 vendas passam pela Guru, com gateway Stone/Pagar.me. Não há coprodução nem afiliados — 100% como produtora.
  • Cartão 64%, PIX 36%. 484 vendas em 12 parcelas. Os juros de parcelamento repassados pela Guru somam R$ 57.636,26 no período.
  • Taxa de plataforma baixa. R$ 10.366,37 em R$ 1,5 milhão — 0,69%, com metade das vendas sem taxa alguma.
  • Origem do tráfego. Meta e Instagram respondem por 2.768 das vendas identificadas.

Público e ticket

  • Mapas: 6.114 vendas, ticket médio de R$ 209,80. Cursos: 129 vendas, ticket médio de R$ 1.775,94.
  • Order bumps sustentam três mapas. Missão da Alma tem 823 das 859 vendas dentro do checkout de outro produto; O Mapa do Amor, 537 de 578; Mapa Infantil, 180 de 247.
  • Exterior: R$ 130.900,10 em oito meses (8,7% do faturamento), sendo Portugal R$ 113.816,60. Dos 426 compradores no exterior, 364 informaram documento de 9 dígitos — o NIF português.
  • Endereço do comprador: apenas 0,4% das vendas nacionais trazem UF e CEP preenchidos. O CPF vem em 100%.
Tributação hoje

Para onde vão os 9,34%

De janeiro a julho a empresa recolheu R$ 104.630,38 de DAS sobre R$ 1.120.682,46 declarados. Dentro desse total há um número que conduz toda a conversa desta reunião.

DAS recolhido jan–jul
R$ 104.630,38
9,34% sobre a receita declarada
Desse total, em ICMS
R$ 27.418,95
cerca de um quarto · março a julho
Todo o resto
R$ 77.211,43
tributos federais e municipal

O ICMS é o imposto do Estado sobre a venda de mercadorias. Ele aparece na conta de vocês apenas porque os mapas passaram a ser declarados como venda de mercadoria, a partir de março. Nos dois primeiros meses do ano ele não existia, e nos cursos e mentorias ele não existe até hoje.

Guarde o terceiro número: sem o ICMS, o imposto do período seria R$ 77.211. É exatamente o cenário que aparece na próxima seção como “mapas reconhecidos como livro digital”. Toda a discussão de enquadramento se resume, em dinheiro, a esse imposto entrar ou não entrar na conta.

Uma mudança de enquadramento aconteceu em março de 2026. Até fevereiro, toda a receita era declarada como serviço. A partir de março, os mapas passaram a ser declarados como mercadoria, com incidência de ICMS, e a alíquota média dessa parcela caiu de 12,8% para cerca de 8,6%. Não localizamos, nos documentos disponíveis, registro de estudo ou parecer que tenha embasado a mudança.
Cenários

Três enquadramentos possíveis, três cargas diferentes

Aplicando cada hipótese sobre a mesma receita de janeiro a julho de 2026, a diferença entre o cenário mais caro e o mais barato é de 5,9 pontos percentuais — R$ 66.626,72 em sete meses. Custo, porém, não é o único critério: cada cenário exige uma estrutura diferente.

Tudo tratado como serviçomaior amparo técnicoTudo tratado como serviço: R$ 143.838,20 — 12,835% da receita12,84%R$ 143.838Situação atual (mista)posição mais frágilSituação atual (mista): R$ 104.630,38 — 9,336% da receita9,34%R$ 104.630Mapas como livro digitalexige reestruturaçãoMapas como livro digital: R$ 77.211,48 — 6,890% da receita6,89%R$ 77.211
CenárioDAS jan–julCargaDiferença vs. hojeProjeção 12 mesesO que sustenta
Tudo tratado como serviçoMapas e cursos no Anexo III, com ISS ao município143.838,2012,84%+39.207,82R$ 473.333Entrega por portal, com geração sob demanda a partir de dados fornecidos pelo comprador
Situação atualMapas no Anexo I com ICMS, cursos no Anexo III104.630,389,34%R$ 332.890*Tratamento de bem digital como mercadoria — sem o benefício do livro e sem documentação que ampare a posição
Mapas reconhecidos como livro digitalAnexo I sem a parcela de ICMS; cursos seguem no Anexo III77.211,486,89%−27.418,90R$ 238.121Imunidade constitucional dos livros, reconhecida pelo STF também para o livro eletrônico

* Como ler a coluna “Projeção 12 meses”: é quanto a empresa pagaria de imposto em um ano inteiro se todos os meses fossem iguais a agosto de 2026 — R$ 310.838,89 de faturamento, com a receita de exportação já segregada. Serve para dar a ordem de grandeza anual de cada cenário, não é previsão de faturamento. A alíquota real sobe conforme o RBT12 cresce.

A distância entre os extremos é de R$ 235 mil por ano — mas os dois extremos não estão igualmente disponíveis. O cenário do livro depende de uma reestruturação de produto que hoje só o Mapa do Amor comporta. O cenário do serviço está disponível de imediato e é o mais caro, mas é também o de maior amparo técnico. A posição de hoje fica no meio, e é a que menos se sustenta: a diferença de R$ 27.418,90 para o cenário do livro é exatamente o ICMS recolhido desde março, sem que a estrutura de livro exista.
Até onde vai o benefício do livro. Circula bastante a informação de que o livro digital zera vários impostos. Dentro do Simples Nacional, o que o enquadramento de livro retira é o ICMS — e só ele; os demais continuam no cálculo. É por isso que o cenário do livro aparece em 6,89%, e não em um número menor. Fora do Simples Nacional a conta é diferente, e esse é um dos pontos que entram na análise de regime tributário que faremos no fim deste ano.
O que a oferta comunica

A página de vendas é a principal prova do que está sendo vendido

O enquadramento tributário de um produto digital não se decide pelo nome dele nem pela configuração do emissor de notas. Ele se sustenta no que a empresa comunica ao comprador e no que efetivamente entrega. Lemos as sete páginas de produto e o material enviado pela Tainá.

Na página do Mapa Original existe uma tabela comparativa que posiciona o produto diante das alternativas de mercado:

Sessão com analista certificado — R$ 500 a 2.000. Uma experiência excelente, mas limitada pelo relógio. Tudo o que não couber em 90 minutos de conversa fica de fora.”

Livros sobre o tema — R$ 60 a 120. Ótimos para quem quer ser um estudante do sistema. O problema é que eles precisam falar sobre o funcionamento de todo mundo, em vez de focar apenas na sua energia.”

Mapa Original — O seu atalho definitivo. Mais de 100 páginas escritas exclusivamente sobre você. Em vez de 90 minutos, um manual em PDF para você consultar pelo resto da vida.” oprojetooriginal.com.br/mapa-original-2 — consultado em 08/09/2026

A comunicação atual, portanto, diferencia o mapa do livro e o aproxima da sessão com analista. Some-se a isso o que encontramos no restante das páginas:

O Mapa do Amor é a exceção — e o melhor ponto de partida. A própria página o descreve como “ebook completo com 80 páginas”, com conteúdo fixo que cobre todas as combinações; a leitora consulta as seções correspondentes ao seu desenho e ao do parceiro. Não é gerado sob demanda, não passa pelo portal e é idêntico para todos os compradores. É o produto que mais se aproxima de uma obra editorial e o que exigiria menos ajustes para sustentar o tratamento de livro.
Enquadramento

Como se decide se um material é livro, mercadoria digital ou serviço

Esta é a pergunta central do trabalho. Ela não se resolve pelo nome do produto nem pela configuração do emissor de notas — se resolve por três testes que a legislação e os tribunais aplicam. Abaixo o mapa da discussão, em linguagem direta, e depois a leitura preliminar de cada material de vocês.

O que já está decidido

  • 1. A imunidade do livro alcança o livro digital. O STF decidiu no RE 330.817 (Tema 593) e consolidou na Súmula Vinculante 57 que a imunidade do art. 150, VI, “d” da Constituição vale para o e-book. O argumento é que “o suporte das publicações é apenas o continente que abrange o conteúdo das obras” — o papel é acidental, não essencial.
  • 2. Mas a razão de ser da imunidade tem endereço. O mesmo julgamento diz que a finalidade é “fomentar a difusão da cultura, do ensino e da liberdade de expressão”. A imunidade protege a obra que circula, se difunde e chega ao público — não um documento produzido para uma única pessoa.
  • 3. Bem digital não é automaticamente mercadoria de ICMS. Nas ADIs 1.945 e 5.659, em 2021, o STF decidiu que operações com software, padronizado ou por encomenda, sujeitam-se ao ISS e não ao ICMS. Na sequência, o Convênio ICMS 106/2017, que era a base para os Estados cobrarem ICMS sobre bens digitais, perdeu eficácia (ADI 5.958).
  • 4. O que não é livro e não é mercadoria tende a ser serviço. A lista da Lei Complementar 116/2003 é ampla. O item 17.01 alcança “análise, exame, pesquisa, coleta, compilação e fornecimento de dados e informações de qualquer natureza”. O item 1.03 alcança processamento de dados e textos, e o 1.09 alcança a disponibilização de conteúdo pela internet — este último com a ressalva expressa “respeitada a imunidade de livros, jornais e periódicos”.
  • 5. O fisco estadual reconhece a imunidade, com um critério. Na Resposta à Consulta 19.663/2019, a Secretaria da Fazenda de São Paulo confirmou a imunidade para o livro digital desde que o arquivo represente “a versão eletrônica do que seria considerado livro se em papel estivesse, no conceito usual e clássico de livro”, e ressalvou que a análise é caso a caso.
  • 6. E quando dois itens são vendidos juntos, o acessório segue o principal. Na Resposta à Consulta 24.690/2021, o fisco paulista analisou um material didático entregue junto com uma videoaula, só ao comprador e sem preço separado. Como o principal ali era a aula, o material seguiu a tributação dela. A regra é essa: o que acompanha segue o que foi comprado.

Os três testes que aplicamos em cada material

São eles que decidem o enquadramento de qualquer material digital — e valem também para qualquer produto novo que vocês lancem daqui para frente.

1

É publicação ou é documento pessoal?Livro pressupõe uma obra fechada, com edição definida, destinada ao público. Se o arquivo existe em uma versão única para cada comprador e ninguém mais tem acesso àquele exemplar, ele se aproxima do documento pessoal. A regra de elegibilidade do ISBN diz isso com todas as letras: publicações personalizadas e documentos pessoais não recebem ISBN, e o número identifica um título e uma edição — não cada exemplar vendido.

2

Existe processo editorial?Autoria identificada, edição, capa, sumário, paginação, ficha catalográfica, ISBN e depósito legal são os sinais externos de que houve uma obra publicada. A ausência de todos eles não impede a imunidade por si só, mas deixa a empresa sem nada para apresentar em uma fiscalização.

3

O que a oferta comunica e o que é efetivamente entregue?É o teste que mais pesa na prática, porque é o que o fiscal lê primeiro. A página de vendas, o checkout, o e-mail de entrega e o próprio arquivo precisam contar a mesma história. Se a comunicação vende personalização, análise individual e acesso a plataforma, o enquadramento como obra editorial fica difícil de sustentar, por melhor que seja o arquivo.

Vale registrar o que a mudança de março não teve. A migração dos mapas de serviço para mercadoria alterou apenas a forma de emitir a nota. Não veio acompanhada de registro editorial, de ajuste na página de vendas, de alteração no objeto social ou de parecer que documentasse a posição. Nenhum desses passos é opcional para sustentar um enquadramento mais favorável.

Pré-análise de cada material

MaterialO que é entregueLeitura mais defensável hojeForçaO que mudaria o quadro
O Mapa do AmorR$ 30.514 em 2026 E-book de 80 páginas com conteúdo fixo, igual para todos os compradores. A leitora consulta as seções do seu desenho e do parceiro. Não passa pelo portal e não é gerado sob demanda. Livro digital, com imunidade de ICMSAlta Registro de ISBN e ficha catalográfica, capa e sumário formatados, página de vendas nomeando-o como livro e entrega por download definitivo. É o material que exige menos ajustes.
O Mapa Original · Mapa do Propósito · Mapa Corpo e Mente · Mapa Infantil · Missão da AlmaR$ 1.250.594 em 2026 — 82,7% do faturamento PDF gerado no Portal dos Mapas a partir dos dados de nascimento informados pelo comprador. Cada arquivo é único e existe em um só exemplar. O acesso ao portal é vitalício. Prestação de serviço é a leitura com maior amparo (LC 116, itens 17.01 e 1.03). A leitura de mercadoria digital, adotada hoje, é possível mas ficou mais frágil depois das ADIs 1.945 e 5.659Livro: baixa Sustentar o enquadramento de livro exigiria uma edição fechada, com conteúdo definido e não gerado por comprador — o que significa repensar o produto, não a nota. Manter o enquadramento atual pede, no mínimo, revisão da página de vendas, ajuste do objeto social e um parecer que documente a posição.
Formação Self Paced · Mentoria · Negócios Originais · Comunidade Vida Original · A Criança OriginalR$ 230.690 em 2026 Aulas gravadas, plantões ao vivo, mentoria, comunidade e assinatura anual. Prestação de serviço, Anexo IIISem controvérsia Nada a ajustar no enquadramento. A NFS-e emitida hoje está correta.
A aula complementar: por que ela não muda o enquadramento, e quando mudaria. Um bônus é entregue junto com a compra, sem cobrança à parte. Por isso ele não tem preço próprio — e não precisa ter. O valor pago é do produto principal, e o bônus segue a tributação dele. Essa é a regra: o acessório acompanha o principal.

O que pode ser questionado, então, não é a falta de um preço para a aula. É a relação entre ela e o mapa. Enquanto a aula for um apoio para a pessoa entender o material que comprou — curta, sem vida própria, não vendida separadamente —, ela é acessória e não interfere em nada. Se um dia ela crescer a ponto de ser o motivo da compra, ou passar a ser vendida também de forma avulsa, deixa de ser bônus: passam a ser dois produtos numa venda só, cada um com a sua tributação, e aí sim o valor de cada parte precisa aparecer.

Foi esse o raciocínio do fisco paulista na Resposta à Consulta 24.690/2021, e ele ajuda a entender o critério: lá o principal era a videoaula e o material escrito é que era o complemento, então o material seguiu a tributação da aula. A mesma lógica, invertida, é o que sustenta a situação de vocês: o mapa é o que está sendo comprado, e a aula acompanha.

Em resumo: o que está de pé e o que não está

A forma como os mapas estão enquadrados hoje é a que tem menos apoio das três possíveis. Eles saem como mercadoria com ICMS, e em 2021 o STF afastou o ICMS dos bens digitais. A alternativa mais favorável — o livro — nunca chegou a ser construída: não há ISBN, não há edição fechada e a página de vendas não apresenta o material como obra. A mudança de março trocou a nota, e só.

Existem três caminhos, e é importante dizer desde já que dois deles aumentam o imposto:

1

Reconhecer a natureza de serviço nos mapas gerados sob demandaÉ o caminho mais seguro e o mais caro. A carga sobe de cerca de 9,4% para cerca de 12,8% nesses produtos — o equivalente a R$ 42,7 mil a mais sobre o que já foi vendido em 2026.

2

Manter o enquadramento como mercadoria e reforçar a estruturaMantém a carga onde está, mas exige ajustar o objeto social, revisar a comunicação das páginas e ter um parecer que documente a posição. Mesmo assim segue sendo a posição mais frágil das três, e o risco continua existindo.

3

Construir a estrutura de livro onde ela é viávelReduz a carga, mas hoje só alcança o Mapa do Amor, que é 2% do faturamento. Estender aos demais significa repensar o produto — conteúdo fechado, edição, registro — e não apenas a forma de emitir a nota.

Não existe caminho que mantenha a carga atual e resolva o risco ao mesmo tempo. A escolha é de vocês, e a definição merece um parecer jurídico específico, que podemos conduzir em conjunto com consultor e advogado.

Produto a produto

Doze produtos, e o que muda em cada um

Ranking por faturamento de janeiro a agosto de 2026. As duas últimas colunas comparam a carga que vem sendo aplicada com a que decorreria da leitura de enquadramento da seção anterior — nos mapas gerados sob demanda, a alíquota do Anexo III; no Mapa do Amor, o Anexo I sem a parcela de ICMS.

ProdutoFaturamentoNatureza da entregaNota hojeLeitura de enquadramentoCarga praticadaCarga pela leituraEfeito em 8 meses
O Mapa Original663.640,64Mapa gerado sob demandaNF-e produtoServiçoAjustar9,37%12,89%+23.351,80
Mapa do Propósito416.788,13Mapa gerado sob demandaNF-e produtoServiçoAjustar9,34%12,73%+14.122,14
Formação Desenho Humano · Self Paced114.912,44Curso gravadoNFS-e serviçoServiçoCoerente10,79%10,79%
Formação Desenho Humano · Mentoria80.649,14MentoriaNFS-e serviçoServiçoCoerente10,77%10,77%
Missão da Alma70.236,19Mapa gerado sob demandaNF-e produtoServiçoAjustar9,40%12,73%+2.343,43
Mapa Corpo e Mente69.540,33Mapa gerado sob demandaNFS-e serviçoServiçoJá coerente11,99%11,99%
O Mapa do Amor30.514,46E-book de conteúdo fixoNF-e produtoLivro digitalApós ajustes9,36%5,77%-1.094,57
Mapa Infantil30.388,31Mapa gerado sob demandaNF-e produtoServiçoAjustar9,24%12,94%+1.124,63
Negócios Originais21.527,40Curso gravadoNFS-e serviçoServiçoCoerente11,30%11,30%
Comunidade Vida Original9.535,68Assinatura anualNFS-e serviçoServiçoCoerente11,17%11,17%
A Criança Original1.594,00Curso (DH para Pais)NFS-e serviçoServiçoRevisar nome7,86%7,86%
Análise Ias · Virada Magnética2.471,00Serviço pontualNFS-e serviçoServiçoCoerente13,08%13,08%
Somando a coluna da direita: R$ 41.644,28 a mais em oito meses — R$ 42.738,85 de aumento nos cinco mapas gerados sob demanda, menos R$ 1.094,57 de redução no Mapa do Amor. As duas pontas têm prazos diferentes: o aumento vale de imediato, porque depende apenas de reclassificar; já a redução do Mapa do Amor só aparece depois dos ajustes editoriais descritos na seção anterior. Os cursos e mentorias não mudam — já estão corretos.
Ajustes identificados

Quatro pontos identificados na conferência

1. Mapa Corpo e Mente — o que parecia erro pode ser o único acerto

Lançado em 03/08, o produto foi cadastrado automaticamente no Notazz no grupo de cursos e saiu em 337 notas de serviço, R$ 69.343,33, enquanto os outros mapas saem como produto. Sinalizamos como divergência de padrão, e é mesmo — em relação aos demais. Só que, pela leitura da seção anterior, é justamente a nota de serviço que corresponde à natureza da entrega: ele é um mapa gerado sob demanda, igual aos outros cinco. O cadastro automático acabou acertando o que a configuração manual dos demais deixou fora de lugar.

Por isso a correção aqui não é simplesmente igualar ao padrão dos outros. Ela depende da definição do caminho: se o enquadramento for de serviço, o Mapa Corpo e Mente já está certo e são os outros cinco que precisam mudar.

2. Receita de exportação sem segregação

A venda para o exterior é tributada de forma bem mais leve — 2,02% nos produtos e 3,05% nos serviços, contra 9,4% e 14,0% do mercado interno. De janeiro a julho as vendas internacionais somaram R$ 91.585,20, e R$ 44.731,00 foram declarados como exportação.

Conferindo venda a venda, o critério fica evidente: o que foi segregado corresponde quase exatamente às vendas ao exterior que geraram nota de serviço (R$ 45.781,80 no período). Já os R$ 45.803,40 de mapas vendidos para fora do Brasil, que saem em nota de produto, nunca foram segregados — entraram na base do mercado interno e pagaram ICMS. Em julho isso ficou nítido: das vendas internacionais do mês, R$ 16.182,80 eram mapas e apenas R$ 197,00 foram informados como exportação.

Uma ressalva importante sobre retificar. Corrigir só a exportação dos meses passados geraria um pedido de imposto a menor isolado, sem tocar na questão de fundo. Se a decisão for retificar, o correto é revisar a competência inteira — inclusive a classificação dos mapas como mercadoria. Fazer só a parte que reduz imposto, mantendo a parte que está em discussão, enfraquece a posição da empresa. Por isso este ponto entra junto com a decisão sobre o enquadramento, e não antes dela.

3. Notas de vendas reembolsadas

Separando o que é reembolso de cliente do que são compras de teste feitas pela própria equipe, o quadro fica mais tranquilo do que parecia: os reembolsos e chargebacks reais somam R$ 26.574,05 em 2026, 1,8% do faturamento. Os outros R$ 21.764,07 são 138 compras de teste, canceladas no mesmo dia e quase todas sem nota emitida.

Dos reembolsos reais, R$ 10.006,06 seguem com a nota autorizada e, portanto, dentro da base de cálculo. A causa é técnica e tem solução: todos esses casos são nota de produto (NF-e), e nenhum foi cancelado dentro de 24 horas da emissão. A NF-e tem prazo legal curto para cancelamento; passado esse prazo, o emissor não consegue mais cancelar. Nas notas de serviço isso não acontece, e de fato nenhuma NFS-e ficou presa. Para esses casos, o caminho é o ajuste da base na apuração do mês — venda cancelada não compõe receita bruta — e, quando necessário, a nota de devolução.

4. Endereço do comprador no checkout

Apenas 21 das 5.827 vendas nacionais trazem UF e CEP. Enquanto os mapas saírem em nota de produto, o endereço do destinatário é o que define a operação interestadual, e hoje as notas usam um endereço padrão. A partir de 2027, com a reforma tributária, o local do comprador passa a ser determinante para a repartição do imposto. É um ajuste de campo no checkout, sem impacto na conversão.

Emissor de notas

Três pontos sobre a ferramenta de emissão

A emissão em si funciona: das 6.243 vendas aprovadas de janeiro a agosto, todas geraram nota. O problema não é emitir — é o que acontece depois da emissão, e o que acontece quando entra um produto novo.

1. Notas que permaneceram válidas depois de a venda ser desfeita

Quando uma venda é reembolsada ou sofre chargeback, a nota correspondente precisa ser cancelada. Em 2026 isso falhou em 56 notas, somando R$ 10.164,06. Como a nota continua autorizada, o valor permanece na base de cálculo e o imposto é pago sobre uma venda que não existiu.

CompetênciaNotas emitidasNotas que ficaram indevidamenteValorImposto embutido
01/20261864631,1555,18
02/20263372157,0013,63
03/20266864618,5053,13
04/2026833193.147,22274,19
05/202678071.290,32115,66
06/2026992101.843,00168,87
07/20261.1503710,6066,05
08/20261.37571.766,27166,14
jan–ago6.3395610.164,06912,85

A causa é conhecida e não é descuido de vocês: as 56 são notas de produto (NF-e), e nenhuma delas foi cancelada dentro de 24 horas da emissão. A NF-e tem prazo legal curto para cancelamento; passado esse prazo, o emissor não consegue mais fazê-lo. Nas notas de serviço o prazo é bem maior, e por isso nenhuma NFS-e ficou presa. A diferença aparece com nitidez nos dados: das notas canceladas com sucesso, 26 de 36 estavam dentro das 24 horas; das que ficaram presas, nenhuma estava.

A nota tem que ser emitida na data do fato gerador — ou seja, quando a venda é aprovada. Isso não muda, e é assim que orientamos todos os nossos clientes. O que precisa existir é o tratamento do que vem depois: quando a venda é desfeita dentro do prazo, o emissor cancela a nota; quando é desfeita fora do prazo, o caminho é a nota de devolução e a exclusão da venda cancelada da base de cálculo do mês, porque venda cancelada não compõe receita bruta. Nesses 56 casos nada disso aconteceu — a nota ficou válida e o valor permaneceu na apuração.

2. Produto novo entrando com configuração automática

O Mapa Corpo e Mente foi lançado em 03/08 e o emissor o cadastrou sozinho, no grupo de cursos. Foram 337 notas de serviço, R$ 69.343,33, sem que ninguém tivesse definido aquele enquadramento. Nesse caso específico a configuração automática até coincidiu com a natureza da entrega, mas o ponto permanece: um produto novo não deveria começar a emitir nota antes de alguém decidir como ele deve ser tributado. Com o volume de lançamentos de vocês, isso vai se repetir.

3. O custo e o volume

Vocês emitiram 6.339 notas de janeiro a agosto, com média de 792 por mês e pico de 1.375 em agosto. No ritmo atual, a projeção é de cerca de 16.500 notas por ano. O plano do Notazz custa hoje R$ 360 por mês.

ItemNotazz (hoje)Spedy
Custo mensalR$ 360R$ 207 no plano Profissional anual (R$ 2.490/ano)
Notas incluídas24.000 por ano, contra as 16.500 projetadas
Cancelamento em reembolsoFalhou em 56 notas de 2026Recebe a notificação da Guru e solicita o cancelamento automaticamente
Relatório de vendas desfeitasAs 56 notas passaram sem sinalizaçãoNotifica os casos em que o cancelamento não foi aceito, para tratamento na apuração
Integração com a GuruIntegração genéricaIntegração nativa, com importação retroativa de vendas
Economia anualR$ 1.836 em mensalidade, além do imposto que deixa de ser pago sobre venda desfeita

Planos e recursos conforme o site da Spedy, consultado em 11/09/2026. É o emissor que usamos com boa parte dos nossos clientes do mercado digital.

Um ponto a confirmar antes de qualquer migração. Hoje 93% das notas de vocês são nota de produto (NF-e) — a integração da Spedy com a Guru é descrita principalmente para nota de serviço. Antes de sugerir a troca em definitivo, vamos confirmar com eles o suporte a NF-e nesse fluxo. Vale lembrar que, se a definição de enquadramento levar os mapas para serviço, essa questão deixa de existir: a emissão passaria a ser toda em NFS-e, que é o cenário nativo da integração — e o problema do prazo de cancelamento desaparece junto.
Não há pressa para trocar. Nenhuma decisão sobre emissor precisa ser tomada nesta reunião. O que muda desde já, independentemente da ferramenta, é a conferência entre vendas e notas passar a ser feita com regularidade por alguém da empresa, para que as vendas desfeitas sem cancelamento apareçam na semana em que acontecem. Na apuração do mês nós conferimos de novo e excluímos esses valores da base. Sobre a troca de emissor, vamos confirmar o ponto acima com a Spedy e retomar a conversa depois de definido o enquadramento dos produtos — porque é ele que determina qual tipo de nota a empresa vai emitir daqui para frente.
Receita fora da apuração

Janeiro e fevereiro de 2026 ficaram parcialmente declarados

Ao conciliar as vendas da Guru com as notas do Notazz e com as declarações entregues, encontramos uma diferença concentrada nos dois primeiros meses do ano.

CompetênciaVendas aprovadas na GuruNotas emitidasDeclarado no PGDAS-DDiferença
jan/202652.177,0952.177,092.533,40-49.643,69
fev/2026155.468,29155.468,29115.858,59-39.609,70
mar/2026155.650,71155.650,71159.286,693.635,98
abr/2026189.501,33189.501,33193.746,474.245,14
mai/2026179.599,82179.599,82178.837,54-762,28
jun/2026219.307,02219.307,02223.202,623.895,60
jul/2026249.254,57249.254,57247.217,15-2.037,42
ago/2026310.838,89310.838,89apuração Plano A
jan–jul1.200.958,831.201.857,731.120.682,46−80.276,37

A causa é identificável. A emissão de nota de produto começou em dezembro de 2025 — antes disso, tudo saía como nota de serviço. Nos meses de janeiro e fevereiro, a apuração considerou apenas as notas de serviço. Em fevereiro, por exemplo, as notas de serviço somaram R$ 97.007,85 e o valor declarado foi R$ 97.070,59; as notas de produto, de R$ 58.913,44, não entraram. A partir de março a apuração passa a acompanhar o total das vendas.

Receita não declarada (jan + fev)
R$ 89.253,39
jan R$ 49.643,69 · fev R$ 39.609,70
Diferença de principal
R$ 11.161,60
calculada pela alíquota do Anexo III
Estimativa com multa e juros
R$ 14 a 15 mil
a confirmar com a Selic acumulada

A diferença de principal foi calculada pela alíquota do Anexo III — cerca de 12,9% nesses dois meses —, que é a que corresponde à leitura de enquadramento apresentada antes. Em janeiro faltam R$ 5.713,12 e em fevereiro R$ 5.448,48. Vale notar que janeiro e fevereiro já eram integralmente declarados como serviço; a mudança para mercadoria só começou em março. Há ainda uma diferença de R$ 6.764,47 em dezembro de 2025, do mesmo período de transição, que também pode ser revisada.

Como tratamos isso. A regularização é feita por declaração retificadora das competências, com recolhimento complementar em DAS. É um passivo do período anterior à nossa responsabilidade, que se inicia em 01/08/2026, e a decisão de retificar é de vocês. Nossa recomendação é regularizar: o valor é conhecido, ainda é pequeno e a certidão da empresa hoje está regular.
Situação fiscal

Onde a empresa está perante os órgãos

Certidão federal
Regular
Positiva com efeitos de negativa, válida até 16/01/2027
Procuradoria (PGFN)
Sem pendências
Nenhuma inscrição em dívida ativa
Parcelamento em curso
41 de 60 parcelas
R$ 26.038,10 consolidados em 24/02/2025
Próximos meses

O que muda até o fim do ano

A empresa muda de faixa em setembro

A alíquota do Simples é calculada sobre a receita dos 12 meses anteriores (RBT12). Com agosto em R$ 310 mil, o acumulado passa de R$ 1,8 milhão já na competência de setembro, o que leva a empresa para a 5ª faixa das tabelas.

CompetênciaRBT12Anexo I
(mercadoria)
Anexo III
(serviço)
ago/20261.739.2489,41%13,95%
set/20261.807.2689,47%14,00%
out/2026~2.052.81310,05%14,88%
nov/2026~2.251.65010,42%15,42%
dez/2026~2.452.74910,74%15,88%

Projeção considerando entre R$ 290 mil e R$ 450 mil por mês de setembro a dezembro, com reforço de Black Friday em novembro.

Duas decisões, dois prazos

1

Setembro de 2026 — regime de tributação da reformaA definição deste mês diz respeito ao tratamento dos novos tributos da reforma tributária (CBS). Vamos apresentar o cenário e conduzir a escolha dentro do prazo.

2

Até dezembro de 2026 — Simples Nacional ou Lucro Presumido em 2027Com o faturamento projetado em torno de R$ 2,8 milhões para 2026 e a empresa já na 5ª faixa, o Lucro Presumido tende a entrar no páreo para 2027. Faremos as simulações junto com vocês antes da virada do ano.

As duas decisões dependem do enquadramento dos mapas. É por isso que esse é o primeiro tema: definida a natureza dos produtos, as simulações de regime passam a ter uma base firme.

Observações complementares

Pontos observados fora do escopo contábil

Ao analisar as páginas de venda encontramos alguns pontos que não são de natureza contábil, mas que julgamos importante trazer ao conhecimento de vocês.

Próximos passos

O caminho daqui para frente

Para começarmos alinhados, vale separar o que é responsabilidade nossa, o que é de vocês e o que fica fora da mensalidade.

Do nosso lado, dentro dos honorários

1

Apuração mensal dos impostos e envio das guiasEntre os dias 7 e 15 de cada mês. A de agosto, com vencimento em 20/09, sai com base nas notas já emitidas e na classificação que vinha sendo praticada — mudar a classificação sem a decisão tomada criaria incoerência entre a nota e a apuração.

2

Contabilidade e fechamento trimestralEscrituração a partir da competência de agosto, com apresentação do resultado a cada trimestre, conforme o plano contratado.

3

Obrigações acessórias e acompanhamento do enquadramentoDeclarações federais, estadual e municipal, e o acompanhamento do regime tributário ao longo do ano, com suporte no dia a dia.

O que precisamos de vocês

4

Decisão sobre a retificação de janeiro e fevereiroCom a estimativa de desembolso na mão, é uma escolha de vocês. Nossa orientação é regularizar, e fazer isso junto com a definição do enquadramento, para que a revisão da competência seja completa.

5

Definição do enquadramento dos produtosÉ a decisão central. A partir dela tudo o mais se organiza: a emissão das notas, a apuração, a comunicação das páginas e a escolha do regime para 2027.

6

Uma pessoa da empresa conferindo vendas e notas toda semanaA conferência entre o que foi vendido na Guru e o que foi emitido no Notazz precisa de alguém de dentro, com acesso ao dia a dia — é assim que um produto novo mal cadastrado ou uma nota que não cancelou aparecem na hora, e não dois meses depois. Nós orientamos como fazer e conferimos de novo na apuração do mês.

7

Documentação mensal a partir de agostoExtratos bancários, faturas de cartão, notas de despesas e comprovantes. É o que permite fechar a contabilidade e acompanhar o resultado mês a mês.

8

Onde ocorreram as vendas antes de 2026 e se ainda têm os acessosA Guru só tem dados a partir de setembro de 2025, e o faturamento declarado em 2025 foi bem maior que o registrado lá. Precisamos saber qual plataforma rodava antes e se o acesso ainda existe.

O que fica fora da mensalidade. Este levantamento faz parte do nosso trabalho de conhecer a empresa, e o acompanhamento do enquadramento continua incluso. Já a construção de uma estrutura com tributação mais favorável — revisão de produto, ajuste das páginas de venda, registro editorial e parecer jurídico — é um trabalho específico, normalmente conduzido em conjunto com consultor e advogado. Se vocês quiserem seguir por esse caminho, é só nos avisar: apresentamos o escopo e o orçamento antes de qualquer coisa.